Memória Duke - Usina Salto Grande - Sr. Alfredo Ferreira

Alfredo Ferreira

"O meu nome completo é Alfredo Ferreira. A data de nascimento é dois de setembro de 1948. Nasci na Bahia, na cidade de Iguape (...). Minha família veio para Salto Grande em 1952, para trabalhar na construção da usina de Salto Grande, e acabamos ficando. Vieram pai, mãe, tios, tias e um monte de gente. Os mais velhos já se foram, mas ainda têm alguns na cidade (...).
Lembro que, quando chegamos em Salto Grande, não tinha casa, porque era um formigueiro de gente numa cidade pequena, não tinha lugar. Viemos morar numa fazenda perto da cidade, mas que ficava no Paraná. Só depois de dois anos que a gente conseguiu ir para a cidade e começar o trabalho na usina. Na Bahia, a minha família trabalhava na lavoura, na roça. As notícias sobre Salto Grande surgiram por lá porque essa usina foi quase que pioneira no Brasil. Foi a primeira construída pelo Governo do Estado, então a notícia se esparramou. Todos diziam: “Vamos para lá.” Era uma época de seca, daquelas muito fortes. Por isso juntamos as coisas e viemos embora.
(...) Entrei na usina como ajudante geral, fazendo limpeza. Trabalhava na casa de força, lavando banheiro e ajudando o pessoal da mecânica, da elétrica e da subestação. Eu fazia de tudo que aparecesse. Foram cinco anos muito bons que passei assim. Fui para a operação em 1974, onde fiquei até o fim. O operador é quem toma conta da geração de uma usina, quem cuida das máquinas. Lá a gente trabalhava mais no funcionamento da máquina, fazendo as paradas e as leituras, como a de temperatura, por exemplo. Depois passei para a sala de comando, que é a parte de geração mesmo, não a de mecânica. Aí foram mais uns 15 ou 20 anos nessa vida, até maio de 1994.
Na época era muito mais difícil operar. Tudo muito mais complicado porque a gente mesmo tinha que tomar as decisões, a máquina não era que nem hoje. As decisões eram nossas. Além disso, a gente era cheio de normas e procedimentos, como é até hoje. Tinha que obedecer tudo à risca para evitar qualquer problema, qualquer perigo. Isso porque a CESP investia muito em segurança. Ela dava muitos cursos em cima disso. A parte de segurança era bem rigorosa. Tínhamos também muitos cursos na área de operação e de aperfeiçoamento do trabalho. Sempre tinha esses cursos que aconteciam em Botucatu e em Ilha Solteira, onde ficava o centro de treinamento da CESP. A gente ia direto para lá (...).
Na época da construção da usina, tinha muita gente em Salto Grande. Foi um negócio que envolveu muitas pessoas por conta da demanda de mão de obra. Mas, depois de terminada a obra, já no começo dos anos 1970, o pessoal foi todo embora! Isso foi um fracasso para a cidade. Foram todos para a construção de Jurumirim, em Piraju. Depois também começou a construção da usina de Chavantes, aí que foi tudo embora mesmo. Logo em seguida, começaram a usina de Capivara, e o resto do pessoal foi tudo atrás. Então, para a cidade o que fica é um absurdo, porque o povo vai embora e as coisas caem, o comércio acaba. O número de funcionários também foi diminuindo com o tempo. Quando sai, em 1994, tinha 28 pessoas dentro da usina. Hoje eu não sei quantos tem. Mas sei que tem bem poucos, bem menos do que na minha época." (Trechos da entrevista realizada em 04/07/2012)