Memória Duke - Usina Capivara - Ariovaldo Gama Santos Sobrinho

Ariovaldo Gama Santos Sobrinho

"Meu nome é Ariovaldo da Gama Santos Sobrinho. Nasci em Caçapava, no estado de São Paulo, em quatro de junho de 1959. Meu pai sempre morou em sítios e fazendas. Por isso, nasci e fui criado numa fazenda que era do meu avô e que meu pai ficou tomando conta. Mas quando eu estava com 16 anos, meu pai quis que eu fosse trabalhar, que não ficasse só na fazenda. Foi quando entrei para a indústria. Fiz o Senai e depois fui trabalhar na General Motors, em São José dos Campos. Trabalhava na indústria, mas com vontade de estar na fazenda porque sempre gostei de animais e de estar em contato com as coisas de sítio. Mas era uma necessidade trabalhar fora e, no fim, acabei ficando na indústria mesmo, passando por outras metalúrgicas até meus 20 anos, quando entrei na CESP (...). 
O curso que fiz no Senai foi de eletricista industrial. Na época, em 1975, era um curso de formação média. Tinha uma parte que era eletricidade em residência, outra de motores e um último módulo sobre eletricidade industrial, que pegava toda a parte de indústria, tudo o que se usava na fábrica. Era um curso prático voltado para a indústria mesmo. Justamente por isso, foi uma coisa bem rápida(...).
A CESP era uma empresa muito conceituada no estado de São Paulo. Todo mundo tinha interesse em trabalhar numa empresa daquele porte, como hoje é o Banco do Brasil. E foi por uma amiga, em 1979, que fiquei sabendo da vaga que tinha para a regional de Cabreúva. Ela me informou: “Tem uma vaga lá, se você quiser fazer o teste, né.” Eu saí de Goiás e vim fazer o teste em Cabreúva, na CESP. Na época, essas vagas não eram muito divulgadas, só mesmo pelo pessoal que já trabalhava na empresa. Quem ficava sabendo informava os amigos. Não tinha divulgação em jornais, essas coisas. Tanto é que para essa vaga só tinha dois concorrentes: eu e outro rapaz. Acabei sendo chamado. Depois, o segundo colocado também foi aproveitado em outra vaga. Tempos depois, nós dois acabamos trabalhando juntos.
Entrei para a vaga de Eletricista de Manutenção em subestações. Era função de eletricista, porque nessa época ainda eu não tinha o curso técnico. Em toda a região de Jundiaí, Bragança Paulista e Embu-Guaçu a gente fazia manutenções. Tudo próximo de Cabreúva, que era a região maior. Nas subestações, a gente fazia o serviço de manutenção de equipamentos, como transformadores, disjuntores e toda aquela aparelhagem que a gente vê de fora, aqueles equipamentos grandes. E com uma semana de trabalho, aconteceu um problema grave perto de São Paulo, em Embu-Guaçu. Um transformador explodiu e pegou fogo. Eu estava começando a me ambientar com o serviço de subestação quando, numa noite, foram me buscar em casa: “Oh, vamos para a usina que explodiu um transformador.” Quando chegamos à subestação Embu-Guaçu, estava já corpo de bombeiros, aquela movimentação toda e o transformador pegando fogo. Ficamos uma semana trabalhando quase que direto. Foram poucas horas de folga para conseguirmos substituir o transformador. Então era uma rotina sempre muito puxada porque, além do trabalho normal da semana, tinha muitos imprevistos e muitas programações de serviço no final de semana. Às vezes, a gente ficava trabalhando de segunda a sexta fora de casa e, quando chegava no fim de semana, ainda tinha programado um serviço na subestação – que não pode ser desligada durante a semana. Quando isso acontecia, praticamente não tinha folga, era muito puxado." (Trechos da entrevista realizada em 12/09/2012)