Memória Duke -Usina Rosana - José Evaildo Bertolotto

José Evaildo Bertolotto

"Meu nome é José Evaildo Bertolotto e nasci em 1954. Sou da região, da cidade de Nova Londrina, no Estado vizinho, o Paraná, onde estão as edificações construídas e arranjos da Usina Rosana. Fica na divisa. Do outro lado do rio fica São Paulo.
Nós éramos de Nova Londrina, mas meu pai veio para Porto Rosana para trabalhar com serraria como funcionário na empresa Camargo Corrêa, que estava explorando a madeira na região. Quando cheguei à maioridade, era hora de arranjar emprego. Neste momento, ainda no tempo da CESP, começaram os estudos para as novas barragens de Rosana, Porto Primavera e Taquaruçu, que eram chamadas de as usinas do Pontal. Como eu estava lá na região, comecei a trabalhar neste estudo, em 1975, fazendo topografia numa empresa que mexia com a parte de sondagem. E, em 1980, teve início a construção das três obras, todas ao mesmo tempo.
Até aquela época, eu não tinha profissão. Então, meu primeiro serviço foi o de auxiliar de topografia. Hoje, o trabalho é mais moderno, mas, naquele tempo, eu fazia picadas usando foices. Depois passei a ser motorista. Para isso, alugávamos os carros na própria empresa para poder trabalhar. Foi com meu finado pai comprando uma caminhonete que comecei esse trabalho. Com o tempo, isso começou a ficar desgastante para a empreiteira, porque o lucro era pouco. Porém, como o pessoal me conhecia, fui convidado para trabalhar na CESP, na vaga que ocupo até hoje. Eles perguntaram se eu não queria entrar e fui contratado em 1980 mesmo. Naquele tempo eu fazia serviços para a CESP, mas era funcionário da Camargo Corrêa.
Assim fui tocando até que, em 1982, houve uma parada nos trabalhos com as três máquinas, que durou até 1984. Isto aconteceu por causa da economia. Eles disseram que era por causa da falta de verba. Então, quando faltava dinheiro lá, o trabalho parava. As três haviam começado a ser construídas em 1980, mas apenas em 1987 começou a girar a primeira máquina. Quando os trabalhos voltaram, deram prioridade para de Rosana, que foi tocada até começar a gerar energia. Depois eles mudaram o foco para Taquaruçu e finalmente para Porto Primavera, que foi uma obra grande, cheia de demandas e que terminou há pouco tempo. Existe um lago grande lá. Não parece nem um mar, parece um oceano! Não dá nem para ver a outra margem (...).
Quando eu trabalhava com topografia, a gente entrava na mata e abria tudo na picada porque, naquele tempo, a ferramenta era a foice. Não havia motosserra, era um trabalho todo manual. Os aparelhos de topografia também eram diferentes. Hoje o funcionário vai para a estação e marca os pontos via satélite. Antigamente era preciso fazer alinhamentos. A antiga topografia era roçar e bater piquete. No final, eu ficava feliz por saber que tinha feito aquelas trilhas. Depois passaram máquinas para a gente ter o acesso até a obra e fizeram uma trilha melhor. Naquela época, eu tinha 19 ou 20 anos, era novo.
Naquele tempo, podia colocar um toldo atrás da caminhonete e transportar o pessoal. Hoje não pode mais. Antes havia uma estrada muito ruim de mato, por isso tinha de ser caminhonete. Eu parava nos pontos que tinham toldos e bancos e pegava o pessoal que ia fazer topografia e sondagem. Isso durante o período de estudos da construção, que era comandado por Ilha Solteira. Até hoje existe um laboratório grande que faz estudos lá. Ainda tem muita coisa, inclusive um centro de formação. Eram eles que comandavam.
E quando acertaram e aprovaram a obra, o então governador do estado, Paulo Maluf, liberou e a equipe começou a obra. Aqui para Rosana veio a Servix, que acabou falindo. Então veio a CBPO, Companhia Brasileira de Projetos e Obras, e continuou o trabalho." (Trechos da entrevista realizada em 27/08/2012)