Memória Duke - Usina Capivara - Edson Tadeu Lange

Edson Tadeu Lange

"Meu nome é Edson Tadeu Lange. Eu nasci em 17 de abril de 1960, em Mococa, interior de São Paulo. Lá em Mococa, foi fundada uma escola técnica em 1970. Na época, aquilo era novidade, não tinha muitas escolas técnicas no país. Entrei nela em 1975 e fiz os três anos de curso técnico de eletricidade. Quando a agente era adolescente, essa era a melhor opção que tinha. Para entrar na escola tinha um vestibular que não era fácil, tinha muita concorrência. Quem entrava se sentia premiado. Era uma coisa muito bacana. Semelhante a entrar, hoje, num curso federal, numa escola ou faculdade. Vinham pessoas até de outras cidades para concorrer. Na região toda tinha gente querendo fazer essa escola.
(...) A CESP era uma empresa bem diferente. Ela tinha uma coisa muito robusta, que desbravava o interior de São Paulo com as usinas e tudo. A gente sentia que era uma empresa muito forte. Então, para mim, foi muito bom porque era uma empresa em que a gente tinha muitas oportunidades de aprender, principalmente na fase em que eu trabalhei, quando estavam ampliando.
Comecei em Chavantes trabalhando com manutenção de subestação. Não trabalhava com usina hidroelétrica. Na época, Chavantes era uma sede regional, então a gente fazia manutenção nas subestações em Chavantes, em Presidente Prudente, em Capivara e em Assis. Trabalhei também nas obras de construção de Taquaruçu, Porto Primavera e Rosana. Era uma região grande para atender.
Em função do tamanho da região, em 1983, criaram um pólo de manutenção em Capivara para trabalhar nas subestações de Capivara, Prudente, Pirapozinho, Taquaruçu, Porto Primavera e Rosana. Nessa mudança, fui transferido para a usina Capivara, que estava em funcionamento desde 1977. Por conta disso, a equipe de lá era bem nova e com muitas coisas para melhorar. A gente trabalhava muito na época, e o regime de trabalho era outro, fazia muita hora extra, trabalhava sábado e domingo porque a distribuição de energia elétrica não era tão forte quanto hoje. Tinha poucas linhas de transmissão e as usinas não tinham muitos recursos energéticos. Não era ruim, mas um pouco espremido, a gente corria muito. Mas foi mudando.
Quando fui para Capivara, eu era jovem, mas já tinha muita responsabilidade. Quando o chefe da nossa equipe se transferiu para a usina de Nova Avanhandava, em 1985, a gente ficou sem aquela figura de comando. Então o gerente quis trazer outra pessoa para ser chefe, uma pessoa experiente. E acabou sendo eu o escolhido, mesmo sendo muito novo ainda, com 25 anos." (Trechos da entrevista realizada em 28/08/2012)