Memória Duke - Usinas Canoas I e II - Osvaldo Valério

Osvaldo Valério

"Meu nome é Osvaldo Valério, nasci dia 16 de outubro de 1953 na cidade Palmital. Acho que sou bem antigo. Faço parte de uma família de dez irmãos. Sou descendente de italianos. Meu avô chegou aqui com nove anos e minha avó com sete. São os pais da minha mãe. Naquela época, os estrangeiros tinham muitos filhos, por isso somos três homens e sete mulheres. Quando chegaram no Brasil, eles moraram na região sul da capital paulista, no bairro do Jabaquara, antes da mudança para o sítio em Palmital, no interior do Estado de São Paulo, onde fui o quinto a nascer e vivo até hoje, bem caipirão... O meu nascimento foi uma festa porque, até a minha chegada, só havia mulheres na família, o que deixava meu pai muito apreensivo. Então, quando nasceu um homenzinho, eles não fizeram um churrasco, mas teve que dar tiro de rojão, entre outras coisas…
Eu estudei até o colegial, que na minha época chamava-se científico. Não tive estudo técnico nem universitário. A gente fazia um ano de cientifico e ficava preparado para entrar em uma faculdade. Mas não dava para pagar. Meu pai também não era letrado, então não tinha muita informação, não tinha essa de disputar vaga em universidade estadual ou federal. Por isso, me preparei assim para trabalhar de auxiliar de escritório. Fiz um curso de datilografia com um senhor que também era funcionário de um banco. Aí ele perguntou se eu gostaria de trabalhar na agência bancária. Foi onde comecei minha vida profissional com meu primeiro emprego registrado (...).
Fiquei mais sete anos no banco e aí fui dispensando durante o Plano Cruzado. Na mesma época, em 1984, fiquei sabendo, por intermédio de um amigo de trabalho, que tinha um concurso para operadores na CESP. Fiz a inscrição e as provas aconteceram acho que no começo de novembro. Fui aprovado e entrei na empresa apenas em abril de 1985 porque ela não chamava todos os selecionados de uma vez. O pessoal presta a prova e, depois, onde precisa ela vai chamando.
Mas tive o azar de ser convocado exatamente quando tinha machucado o pé jogando futebol, aqui mesmo, num hotel-fazenda. Isso adiou em mais ou menos um mês minha entrada na empresa. Aquele concurso convocou muita gente porque houve muita aposentadoria, incluindo algumas pessoas de Salto Grande que ainda estão vivas.
Se eu não me engano foram escolhidas 20 pessoas. Quando fiz a inscrição em Chavantes, 240 pessoas participaram da seleção. Foram eliminados 200 candidatos depois da primeira prova, que era de matemática, português e conhecimentos gerais. Como eu estava desempregado, fiquei muito feliz por ter passado para a segunda fase. Era muito mais fácil concorrer entre 20 do que 240. E assim foi. Houve a entrevista no psicólogo e tal e acabei ficando em 16º lugar.
Antes deste concurso nunca tinha pensando em trabalhar em uma usina. Mesmo morando aqui, eu nem conhecia muito sobre a área. Sabia alguma coisa porque alguns funcionários tinham conta no banco, e a gente se via na agência.
Mas quando entrei na CESP, fui direto para uma subestação trabalhar como operador, e na sala de comando, eu quase morri do coração! É verdade! Porque saí do ambiente de um banco para outro completamente diferente e sentei numa sala com aquele monte de medidores. Eu pensava: “Como é que os caras conseguem controlar tudo isso?” Foi quando um operador chamado José Odair falou assim: “Não! Não olhe para todas essas engrenagens não! Venha pra cá!” Mas realmente eu fiquei assustado naquele primeiro momento!" (Trechos da entrevista realizada em 04/07/2012)