Memória Duke - Usina Salto Grande - Waldemar Santella

Waldemar Santella

"Meu nome é Waldemar Santella. Sou de 21 de maio de 1941. Já estou com 71 anos. Nasci em Cerqueira César, estado de São Paulo. Mas, um ano depois, minha família mudou para Ourinhos. Nós somos em quatro irmãos e duas irmãs. (...) Meu pai, que já é falecido, sempre foi agricultor. Minha mãe também trabalhou com agricultura, além de cuidar da casa. (...) Eles cultivavam de tudo. Mas, naquele tempo, a agricultura era muito difícil. Eu também trabalhei muito tempo na roça como agricultor. Inclusive trabalhei na fazenda que pertencia à USELPA, do meio do ano de 1962 até o meio de 1963. Engraçado, Deus nos abençoou com saúde, ganhei um bom dinheiro, e fui convidado para entrar na USELPA, mas dispensei, não quis, fui trabalhar no sítio. (....)

Estudei em Ourinhos, numa escola boa, mas que, quando eu prestei, não era reconhecida. Então não teve jeito. Em 1956, terminei esse curso da primeira via. Era um tipo de um curso técnico desses que tem hoje, mas bem inferior. Nele era ensinado tudo: elétrica, mecânica e hidráulica. Tudo junto, mais ou menos como a mecatrônica hoje, e durava dois anos. Eu trabalhava o dia inteiro na rua. E no final do dia, pegava uma bicicleta e pedalava 14 quilômetros para ir e 14 para voltar. No ano seguinte, mudei para Salto Grande, para o sítio(...).

Em julho de 1969, entrei na CESP. Fui registrado como vigilante. Foi quando ocorreram os acidentes lá em São Paulo e no Rio de Janeiro que queimaram a TV Tupi. Então o pessoal estava atrás de segurança. E como eu sempre tenho muitos amigos, foi um segurança da USELPA na minha casa, com uma Kombi e falou: “Vamos lá, você vai entrar na USELPA hoje.” Deixei tudo o que estava fazendo, arrumei um homem para ficar trabalhando no meu lugar e vim para a usina. Na época, era uma colônia, tudo casa de tábua. Acho que eram umas 15 casas onde moravam os funcionários e os motoristas. Os menos graduados eram quem morava nessas casas. Então andava a noite inteira lá, um mato que não tinha tamanho. Inclusive teve um dia que eu não estava aguentando mais. Aí eu escutei um barulho e, no que eu olho, era um cachorro do mato de um tamanhão que pulou por cima de mim. Foi por isso que eu trabalhei só um mês. Sou uma pessoa que não consegue dormir durante o dia e trabalhar 12 horas por noite. Ainda mais recebendo  a menos, porque eles pagavam duas horas extras ao invés de quatro. Eu trabalhava seis dias por semana e só tinha uma folga. Então eu dormia uma noite por semana e chegava em casa, tinha um amigo arando a terra, e eu tentava dormir mas não conseguia. Então eu pegava o trator e ficava trabalhando também durante o dia. De noite eu voltava para a usina outra vez.” (Trechos da entrevista realizada em 04/07/2012)