Memória Duke - Usina Taquaruçu - Minoru Sato

Minoru Sato

"Meu nome é Minoru Sato, sou natural da cidade de Rancharia, na região da Estrada de Ferro Sorocabana. Estou em Teodoro Sampaio há 26 anos, sou ranchariense de nascimento e teodorense por opção.

A minha vida se resume numa história muito simples. Como toda família japonesa, a gente trabalhava na lavoura, em base de economia familiar. Com o passar do tempo, verifiquei que a economia familiar não era mais adequada para constituir uma família. Então decidi, com o apoio dos meus familiares, fazer um curso técnico na cidade de Presidente Prudente. Concluindo o ensino médio profissionalizante, prestei concurso na antiga CESP, para um estágio na usina de Chavantes. E em janeiro de 1983, fui admitido como pela companhia como estagiário remunerado. Um ano depois, em primeiro de novembro de 1983, fui admitido no quadro definitivo da CESP para prestar serviço na usina de Capivara. Entrei como eletricista de manutenção porque, na época, não tinha vaga na área técnica. Gradativamente, vieram as promoções, os aprendizados e os cursos que a CESP proporcionava para a gente, dados no centro de treinamento de Ilha Solteira. Isso proporcionou um grande crescimento profissional para o pessoal que trabalhou lá. (...)

Durante o curso técnico, a gente tinha pouca disponibilidade de visitas às usinas, até por ser um curso no período noturno. Então, esse universo das usinas, das marcas de grande porte e das subestações de alta tensão não fazia parte do nosso conhecimento na época. O meu primeiro contato foi quando cheguei na usina de Chavantes e me deparei com uma subestação de 230kW e máquinas de 100 MVA. Para mim foi uma coisa de outro mundo, porque eu não sabia nada daquilo. É como se jogassem uma pessoa num universo em que ela teria de conhecer, e quando ela chega no campo, fala assim: “Eu nunca vi nada disso, nada igual a isso.” Algo mais ou menos assim.

Fiquei um ano e meio na usina de Capivara como eletricista de manutenção. Na época, as usinas de Taquaruçu e de Rosana estavam em fase de construção. Então abriram algumas vagas nas áreas de operação e manutenção na Usina de Taquaruçu, onde estavam começando a montar o primeiro bay da subestação de 138MW, e a subestação de 440MW estava com um bay apenas. Vislumbravam-se algumas acelerações com a colocação de máquinas em operação, mas o ambiente ainda era de canteiro de obras. A usina estava no desvio de primeira etapa, quando o pessoal de construção arma a ensecadeira em volta da casa de força. O rio estava desviado pela margem do Paraná, com todo aquele aparato de construção: caminhões, guindastes e içamentos. A gente pôde acompanhar todo o processo ao longo do tempo, desde as escavações na rocha até a construção do concreto e da barragem de terra. Eu era recém-chegado em Taquaruçu, com a atribuição primária de tomar conta de um bay de 460kV, antes mesmo da sala de comando ficar pronta. Ela foi feita em duas etapas. Primeiro a sala de comando veio para um abrigo chamado casa dos reles e, posteriormente, o projeto foi alterado para outra configuração. Durante esse processo, existia esse ambiente de construção em que a gente circulava, via e acompanhava a parte civil da subestação.” (Trechos da entrevista realizada em 28/08/2012)