Memória Duke - Usina Jurumirim - Luís Inácio

Luís Inácio

"Meu nome é Luis Inácio de Oliveira. Nasci no dia 25 de junho de 1942 na cidade de Tejupá, no estado de São Paulo. Aos sete anos, me mudei para Piraju, que fica a 20 quilômetros de minha cidade natal.

Fiz o primário num grupo escolar perto do centro de Piraju. Só mais tarde, fiz um curso correspondente ao supletivo. Naquela época, estudo era só para a classe alta. E como comecei a trabalhar bem jovem, com doze anos, consegui terminar o ensino médio depois somente depois de adulto. (...)

Depois que atingi certa idade, tomei gosto por essa coisa de oficina. Eu tinha uns colegas com quem fazia alguns serviços nos sábados ou domingos. E foi com eles que fui trabalhar em Jurumirim. Na época, estavam contratando pessoal. Acho que o pessoal que administrava a usina já tinha a visão de que os garotos seriam os profissionais do futuro. E acho que acertaram, porque eu tinha 19 anos quando fui trabalhar na Servix Engenharia, ainda na montagem da Usina Jurumirim.

Fui trabalhar na construção como ajudante mecânico. Em termos de salário, era muito bom. A carga horária normal de serviço era de dez horas, com a exceção de que a gente trabalhava sábado e domingo. Só na parte da segurança no trabalho que não era tão forte quanto é hoje.

Presenciei praticamente dois acidentes, tudo por falta de segurança. Um deles é um dos mais velhos cespianos. Ele foi passar de um local para outro, mas no meio tinha um buraco. Não sei se ele se distraiu, mas deu um passo errado e caiu no buraco. Sorte que não houve gravidade nenhuma. O outro foi por causa de um andaime mal feito, na frente da casa de força de Jurumirim. Despencou o andaime e o camarada foi parar no hospital. Agora, o resultado não fiquei sabendo.
Na área de montagem, onde eu trabalhava, tinha mais ou menos 350 funcionários, entre eletricistas, ajudantes, montadores e ajustadores. Na parte de engenharia civil devia ter mais ou menos 600 pessoas. E o transporte era feito em caminhões que, no início, não tinha cobertura, nem toldo e nem nada. Só os bancos para as pessoas sentarem. Se chovesse ou fizesse frio era da mesma maneira.” (Trechos da entrevista realizada em 20/06/2012)